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As corporações brasileiras, assim como as dos demais países da América Latina, estão vulneráveis aos ataques direcionados aos dispositivos móveis. O País é o terceiro que mais sofre com esse tipo de ameaça na região. O cenário é preocupante, sobretudo, para uma parte do mundo que conta com 600 milhões de celulares – sendo 200 milhões deles smartphones. O alerta foi feito Jorge Mieres, analista de malware da Kaspersky Lab, que, na segunda-feira (20/08), falou durante a Cúpula Latino-Americana de Analistas de Segurança 2012, em Quito (Equador).
Apenas para se ter ideia do tamanho do problema, dados apontam que, apenas em dezembro de 2011, foram criadas mais ameaças móveis que a soma de todos os malwares do tipo desenvolvidos entre 2004 e 2010 ao redor do mundo. Na América Latina, o desenvolvimento de malware móvel cresceu 600% em 2011 e durante o primeiro semestre de 2012 o avanço estava em 300%.
As infecções estão distribuídas por toda a região, mas as principais vítimas são os chilenos, com 25% dos dispositivos contaminados, seguidos por argentinos (24%) e brasileiros (13%).
Android
Entre as plataformas móveis mais populares, o Android segue como vilão. O sistema do Google tem forte presença na AL, o que explica o alto número de malwares disponíveis para esse SO: cerca de 12 mil ameaças únicas apenas no primeiro trimestre. Além disso, apenas 35% dos smartphones possuem antivírus, a maioria vinda de usuários corporativos.
O fato é que as corporações brasileiras terão que lidar com desafios que vão além de ações internas. Enquanto faltar uma regulamentação certeira, que não tenha lacunas, elas estarão expostas aos cibercriminosos que saem impunes. “A resposta ao malware móvel continua lenta. A realidade é que as corporações deveriam ter uma política de segurança que esteja tipificada com a regulação para que possam desenvolver boas práticas para gerenciar os recursos corporativos nos dispositivos móveis”, explicou Mieres, ao afirmar que o Brasil sai na frente de muitos países da região ao começar a pensar em uma lei específica para o tema.
Para tentar amenizar o cenário, o especialista aconselha as companhias a pensarem duas vezes antes de adotar o movimento de Bring Your Own Device (BYOD). Se, ainda assim, a decisão for por adotar o uso de dispositivos pessoais no ambiente corporativo, o gerenciamento da ferramenta deve ser feito da maneira mais eficaz possível. “O critério é ter uma política de segurança firme, que regule o uso dos dispositivos em bom estado. As empresas também devem ter chance de auditá-los.”
Outro ponto levantado durante a conferência é que, para aumentar os níveis de proteção e diminuir a vulnerabilidade em seus sistemas, as companhias podem realizar o intercâmbio de informação e de ação entre os governos e entidades privadas.
A jornalista viajou ao Equador à convite da Kaspersky Lab.
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