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Felipe Dreher Felipe Dreher
Startup | 19 de abril de 2011

Produtos encontram pessoas: esta é a promessa da novata Chaordic Systems

Empresa trabalha para transformar recomendações, em tempo real, em algo personalizado para cada cliente de e-commerce
crédito: Fotomontagem: Rodrigo Martins

O comércio eletrônico ganha cada vez mais espaço junto aos consumidores brasileiros. E, assim como nas lojas físicas, conhecer o cliente e personalizar o atendimento contribui para elevar as taxas de conversão de vendas. A premissa simples do mundo de cimento e tijolo direciona a atuação da catarinense Chaordic Systems no universo dos bits e bytes. Afinal, vivemos na era da recomendação.

A startup nasceu para prover uma tecnologia baseada em algoritmos capaz de oferecer elevados níveis de personalização nas ofertas. “Imagine um e-commerce que vende milhares de tipos de produtos. Você pode mostrar o mesmo site para todo mundo ou usar ferramentas para personalizar a página para cada pessoa de maneira distinta à medida que os clientes interagem com a loja”, justifica João Lourenço Vivan Bernartt, um dos fundadores da companhia. A tecnologia chamada de RaaS (recommendation as a service) trabalha para transformar recomendações, em tempo real, em algo personaliza- do para cada indivíduo.

Para fazer isso, o sistema observa e coleta padrões de consumo [cada clique é informação a ser explorada], joga esses dados em algoritmos para ajudar a direcionar a compra. Uma parte de redes neurais da tecnologia aprende padrões e automatiza ofertas personalizadas a partir de cálculo da probabilidade de compra para o perfil de cada cliente. “Vivemos a era da descoberta. Produtos tentando encontrar compradores”, comenta o executivo, que acrescenta: “Temos o objetivo de ajudar pessoas perdidas em meio a massa de informações,
analisando um ambiente restrito de relacionamento com produtos”, explica o fundador da empresa cujo nome vem de um termo cunhado pelo fundador da Visa, Dee Hock, e significa “caos mais ordem”.

Parte do sistema fica dentro da loja virtual. Outra parte fica nas máquinas do provedor da solução. Na medida em que o cliente interage com o site, servidores do comércio eletrônico e da startup são abastecidos com metadados. Calculadas as recomendações são feitas entregas de ofertas. Segundo Bernartt, muito e-commerces ainda baseiam suas sugestões aos internautas. Isto significa, por exemplo, recomendar livros de Paulo Coelho para quem comprou uma obra do mesmo autor. Mas isso pode não ser efetivo uma vez que padrões de consumo não necessariamente seguem esse tipo de lógica. “A ideia é surpreender o cliente a partir de dados estatísticos”, comenta. A cobrança é feita por meio de comissão de acréscimo de vendas.

Parte do sistema fica dentro da loja virtual. Outra parte fica nas máquinas do provedor da solução. Na medida em que o cliente interage com o site, servidores do comércio eletrônico e da startup são abastecidos com metadados

A Chaordic surgiu a partir de um concurso promovido pela locadora de filmes norte-americana Netflix. Na segunda metade de 2006, a companhia – que tem uma ponta de culpa no cartório pelo declínio da rede Blockbuster – lançou um concurso no qual premiaria com US$ 1 milhão quem conseguisse melhorar em 10% a precisão de seu sistema de recomendação. Quarenta e duas mil equipes se inscreveram atrás do dinheiro. Para o trabalho, a empresa forneceria uma grande base de dados reais que serviria como ferramenta para os times trabalharem seus algoritmos. “Aquilo era perfeito para mim, pois era uma oportunidade de ter uma curva de aprendizado melhor do que se tivesse focado apenas com a universidade”, conta. Bernartt formou uma equipe multidisciplinar, começou a trabalhar no projeto e alcançar alguns bons resultados. “Em determinada classe de algoritmos chegamos a ter o segundo melhor tempo computacional. Para competição não valia de nada, mas para quem queria transformar aquilo em produto era interessante”, estabelece. Quando o resultado do esforço encontrava-se em 6% de melhoria frente ao sistema global, de mercado, veio o estalo de transformar aquilo em uma empresa, pois cada ponto porcentual de avanço demandava esforço exponencialmente superior ao despendido. Além disso, a companhia mexia em bases estáticas enquanto dados, lembra o empreendedor, “são como organismos vivos”.

Entrou-se, então, na fase de moldar a firma. A nascente foi acolhida na Fundação Certi, onde o empreendedor trabalhava antes de montar a companhia. O negócio se estabeleceu por volta de 2008, mesmo ano em que a empresa inscreveu o projeto em editais e levantou R$ 1 milhão para seu desenvolvimento. Com um bom dinheiro em caixa para formatar a solução, o executivo foi ao mercado em busca de investimento para alavancar o negócio. Três investidores interessaram-se em aportar recursos. As conversas evoluíam. Mas, no meio do processo, Bernartt foi apresentado a Jorge Stefens e Paulo Caputo – executivos egressos da Datasul – com capital para investir e portas para abrir. Depois de longo período, que se estendeu de agosto de 2009 a maio de 2010, os ex-profissionais da companhia adquirida pela Totvs assumiram 20% da Chaordic.

Casualmente, 2010 foi um grande ano para a startup. Configurou-se no tempo de vivenciar os primeiros negócios. A nascente fechou contratos e começou a faturar. Atualmente são três clientes ativos. O caso público é com o canal de comércio eletrônico da Saraiva, que viu a taxa de conversão de vendas em sua loja virtual subir a uma taxa superior a 40%. O desempenho deu visibilidade ao sistema dentro do corpo diretivo da organização e chamou alguma atenção da imprensa. Os outros dois usuários da tecnologia são mantidos em sigilo pelo executivo. O desempenho ao longo do ano satisfez os desejos do empreendedor que espera fechar 2011 com mais de 50 clientes utilizando sua tecnologia.

Raio-X

O que faz: ferramenta de recomendação
Projeção de clientes: 50 ao final de 2011
Nascimento: 2008
Funcionários: 20 pessoas
Escritórios: Santa Catarina (desenvolvimento) e São Paulo (comercial)

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