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Startup | 19 de março de 2011

Startup cria ferramenta para medir desempenho de softwares

Mineira DeskMetrics atrai atenção internacional para sua ferramenta que seria um “Google Analytics” para medir usabilidade de softwares em desktop

Uma espécie de Google Analytics para medir desempenho de softwares nativos rodando em desktops. A ferramenta criada pela mineira DeskMetrics identifica padrões de comportamento de usuários e fornece informações estratégicas para desenvolvedores de sistemas. Ao assimilar o conhecimento transmitido pelo manuseio da tecnologia, é possível aprimorar aplicabilidade e usabilidade, ajudando companhias de TI a direcionarem negócios.

Na teoria parece simples. “Colocamos um componente nas linhas de código do sistema. Este mecanismo começa a coletar informações com autorização do usuário e envia para a nuvem, onde os dados são processados e analisados”, explica Bernardo Porto, à frente da nascente. Relatórios são exibidos para o cliente via web. O modelo comercial segue a tendência do “como serviço”, com valores que variam de acordo com o número de aplicações analisadas e o volume de dados recebidos pelo cliente. A assinatura mensal custa entre US$ 49 a US$ 669.

Mesmo de aparência bastante jovem (não mais do que 25 anos), o CEO da empresa traz histórico de empreendedorismo. Antes de montar a DeskMetrics, Porto tocou outra companhia de TI, a Quicksys, focada no desenvolvimento de software utilitário para sistema operacional Windows. Foi justamente no período quando manteve este negócio que percebeu a necessidade por uma solução de análise de aplicações para desktops. Por volta de julho de 2010, ele resolveu fechar a startup que liderava até então e apostar fichas na nova empreitada.

Foi jogo rápido. Na mesma época, recebeu um aporte de R$ 50 mil da família e amigos para montar o negócio. Em agosto último, chamou dez amigos que acreditavam na ideia e eles ajudaram no desenvolvimento da tecnologia.

“Trabalhávamos durante a noite e o pagamento era em salgadinho”, recorda, citando gratidão às pessoas que o ajudaram, sem receber dinheiro em troca. Em setembro, uma primeira versão estava pronta e entrou em fase de teste aberto. No mês seguinte, chegou a hora de lançar um beta. Centenas de pessoas começaram a testar a tecnologia. Neste contingente, figurava a companhia OpenCandy, investida pela Google Ventures, cujos executivos gostaram do produto brasileiro e o indicaram para alguns jornalistas internacionais.

De BH para o mundo

A recomendação da americana abriu as portas para que Porto concedesse entrevista a um jornalista de um dos principais blogs  de tecnologia do mundo, que veiculou uma notícia da DeskMetrics no dia do lançamento oficial do produto. A exposição na mídia a consumidores mundiais trouxe retorno. “O telefone toca e quem liga é só gringo”, comenta. “Somos um startup com foco global. Nosso mercado é internacional”, acrescenta o executivo, reforçando que médias empresas de software e provedores nacionais ainda não dão tanto valor para o tipo de informações fornecido pela tecnologia da brasileira.

De fato, na breve trajetória (e durante a entrevista para essa reportagem), a empresa somava 19 clientes, dos Estados Unidos, Japão, China e Índia. Todo o dia, dez novas contas de teste são abertas. A inclinação ao mercado externo faz a companhia sonhar com um escritório nos Estados Unidos em um futuro breve. A base em terra estrangeira ajudaria a contornar um desafio enfrentado atualmente.

O processo de venda ocorre por meio do site da empresa com o pagamento recebido pelo PayPal. “O intermediador complica muito o processo comercial e tira o profissionalismo do negócio”, avalia Porto, apontando, ainda, que sem uma conta na América do Norte há dificuldade de receber quantias em dólar no Brasil.

Aporte para o futuro

O potencial do negócio atraiu interesse de investidores. Em dezembro, a DeskMetrics recebeu US$ 200 mil de um fundo de seed capital (capital semente) formado por um grupo de empresários e profissionais de TI de Minas Gerais. A expectativa é que o recurso ajude a empresa a ganhar escala. A ambição, ainda, é que a verba alavanque negócios junto a clientes de maior porte, o que dará visibilidade e tende a abrir portas, além de gerar novas possibilidades para mais rodadas de investimento.

Porto projeta fechar 2011 com um número expressivo de usuários da tecnologia. A meta é formar uma base de 1 mil clientes até o fim do ano. Neste período, o executivo vislumbra uma DeskMetrics com entre seis e oito funcionários e preparada para crescer entre 200% e 300%, ao ano, nos próximos cinco anos.

RAIO X

O que faz: informações estratégicas sobre comportamento do usuário no uso de softwares instalados
Valor estimado do produto: entre US$ 49 a US$ 669, por mês
Projeção de clientes: 1 mil ao final de 2011
Nascimento: julho de 2010
Investimento

  • Marcelovfonseca

    Startup cria ferramenta

  • Edipo

    muito bacana

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