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Uma espécie de Google Analytics para medir desempenho de softwares nativos rodando em desktops. A ferramenta criada pela mineira DeskMetrics identifica padrões de comportamento de usuários e fornece informações estratégicas para desenvolvedores de sistemas. Ao assimilar o conhecimento transmitido pelo manuseio da tecnologia, é possível aprimorar aplicabilidade e usabilidade, ajudando companhias de TI a direcionarem negócios.
Na teoria parece simples. “Colocamos um componente nas linhas de código do sistema. Este mecanismo começa a coletar informações com autorização do usuário e envia para a nuvem, onde os dados são processados e analisados”, explica Bernardo Porto, à frente da nascente. Relatórios são exibidos para o cliente via web. O modelo comercial segue a tendência do “como serviço”, com valores que variam de acordo com o número de aplicações analisadas e o volume de dados recebidos pelo cliente. A assinatura mensal custa entre US$ 49 a US$ 669.
Mesmo de aparência bastante jovem (não mais do que 25 anos), o CEO da empresa traz histórico de empreendedorismo. Antes de montar a DeskMetrics, Porto tocou outra companhia de TI, a Quicksys, focada no desenvolvimento de software utilitário para sistema operacional Windows. Foi justamente no período quando manteve este negócio que percebeu a necessidade por uma solução de análise de aplicações para desktops. Por volta de julho de 2010, ele resolveu fechar a startup que liderava até então e apostar fichas na nova empreitada.
Foi jogo rápido. Na mesma época, recebeu um aporte de R$ 50 mil da família e amigos para montar o negócio. Em agosto último, chamou dez amigos que acreditavam na ideia e eles ajudaram no desenvolvimento da tecnologia.
“Trabalhávamos durante a noite e o pagamento era em salgadinho”, recorda, citando gratidão às pessoas que o ajudaram, sem receber dinheiro em troca. Em setembro, uma primeira versão estava pronta e entrou em fase de teste aberto. No mês seguinte, chegou a hora de lançar um beta. Centenas de pessoas começaram a testar a tecnologia. Neste contingente, figurava a companhia OpenCandy, investida pela Google Ventures, cujos executivos gostaram do produto brasileiro e o indicaram para alguns jornalistas internacionais.
A recomendação da americana abriu as portas para que Porto concedesse entrevista a um jornalista de um dos principais blogs de tecnologia do mundo, que veiculou uma notícia da DeskMetrics no dia do lançamento oficial do produto. A exposição na mídia a consumidores mundiais trouxe retorno. “O telefone toca e quem liga é só gringo”, comenta. “Somos um startup com foco global. Nosso mercado é internacional”, acrescenta o executivo, reforçando que médias empresas de software e provedores nacionais ainda não dão tanto valor para o tipo de informações fornecido pela tecnologia da brasileira.
De fato, na breve trajetória (e durante a entrevista para essa reportagem), a empresa somava 19 clientes, dos Estados Unidos, Japão, China e Índia. Todo o dia, dez novas contas de teste são abertas. A inclinação ao mercado externo faz a companhia sonhar com um escritório nos Estados Unidos em um futuro breve. A base em terra estrangeira ajudaria a contornar um desafio enfrentado atualmente.
O processo de venda ocorre por meio do site da empresa com o pagamento recebido pelo PayPal. “O intermediador complica muito o processo comercial e tira o profissionalismo do negócio”, avalia Porto, apontando, ainda, que sem uma conta na América do Norte há dificuldade de receber quantias em dólar no Brasil.
O potencial do negócio atraiu interesse de investidores. Em dezembro, a DeskMetrics recebeu US$ 200 mil de um fundo de seed capital (capital semente) formado por um grupo de empresários e profissionais de TI de Minas Gerais. A expectativa é que o recurso ajude a empresa a ganhar escala. A ambição, ainda, é que a verba alavanque negócios junto a clientes de maior porte, o que dará visibilidade e tende a abrir portas, além de gerar novas possibilidades para mais rodadas de investimento.
Porto projeta fechar 2011 com um número expressivo de usuários da tecnologia. A meta é formar uma base de 1 mil clientes até o fim do ano. Neste período, o executivo vislumbra uma DeskMetrics com entre seis e oito funcionários e preparada para crescer entre 200% e 300%, ao ano, nos próximos cinco anos.
RAIO X
O que faz: informações estratégicas sobre comportamento do usuário no uso de softwares instalados
Valor estimado do produto: entre US$ 49 a US$ 669, por mês
Projeção de clientes: 1 mil ao final de 2011
Nascimento: julho de 2010
Investimento