Existe espaço para os departamentos de TI mostrarem às organizações como as novas tecnologias podem gerar iniciativas. Na 13ª edição do IT Forum (veja cobertura completa), durante o Intercâmbio de Ideias batizado de “Modelos de negócios que surgem a partir de novas tecnologias”, líderes de TI falaram sobre como o departamento cria produtos e serviços que complementam ou até revolucionam o core business da companhia. “O papel da TI é provocar discussões, porque conseguimos ver as tecnologias que estão on the road antes do resto da empresa”, resumiu David Cardoso, da Sodexo Pass.
Em resumo, é isto mesmo. O CIO consegue aproveitar o conhecimento que já tem da área e, observando as tendências, faz apostas naquelas tecnologias que devem prosperar. Foi exatamente isto o que Ítalo Flammia, da Porto Seguro, mostrou. A regulamentação das operadoras móveis virtuais (MVNO, na sigla em inglês) possibilitou a criação da Porto Seguro Telecom, que ofertará telefonia móvel.
Ambas iniciativas tiveram forte participação do departamento de tecnologia. No caso da Porto, a relação é ainda mais profunda: Flammia é diretor da nova empresa e está à frente de todos os passos. O desafio é grande. Ao optar pelo modelo autorizado — quando tem todas as obrigações de uma operadora de celular e, em contrapartida, desfruta mais liberdade e é dona da base de clientes —, a Porto passa a utiliza apenas a infraestrutura de rede da TIM (com quem fechou contrato) e todo o resto fica a cargo da seguradora. “Temos um contrato para garantir o nível de qualidade”, enfatizou Flammia ao ser indagado pelos colegas.
Segundo a estrutura desenhada, à Porto cabem a marca, o atendimento, a distribuição e o suporte ao negócio; à Datora Telecom, MVNE, a expertise em telecom, o relacionamento com operadoras e Anatel e a engenharia e TI. Por fim, com a TIM está a rede. “Nós pesamos o risco relacionado à imagem. É um negócio tecnicamente complexo, além de ser um mercado extremamente regulamentado pela Anatel. Por isto, não entramos sozinho: 80% é Porto e 20% é Datora Telecom.”
Gestão de pneus
Na Goodyear, a TI trabalhou junto com outras áreas para levar a cabo a solução de telemetria dos pneus. A empresa utiliza a implantação de chips e etiquetas de radiofreqüência (RFID) para transmitir diversos tipos de informações que permitem, por exemplo, saber a situação do pneu, diminuir gastos com manutenção e reposição, fazer a gestão de inventário, entre outros.
A solução destina-se à linha de caminhões e ônibus para entender o ciclo completo dos pneus, inclusive podendo ser utilizada para controlar peças da concorrência. Assim, com a instalação de chip na parede interna do pneu e no veículo, tudo é controlado eletronicamente. “O projeto nunca teve como métrica dar retorno financeiro direto, não que isto significa dinheiro a fundo perdido. Não estou aumentando imediatamente número de venda de pneus. Há um serviço agregado e isto é uma quebra de paradigma”, enfatiza Flavio Martins Limaos, CIO da Goodyear.