
Negrete, da Cetip: "Quanto mais científico for o processo de gestão, mais eficientes serão os resultados”
Mauro Negrete sempre se preocupou com gestão e trabalhou para aprimorar-se nesse quesito. Sem ostentar um perfil técnico e encarando a TI como uma ferramenta de negócio, o diretor de operações da Cetip (empresa que comprou, por R$ 2 bilhões, no fim de 2010, a GRV Solutions, que provê informações de inserções e baixas de gravames e da qual ele era o COO) e professor na Insper, acredita que muito dos resultados que alcança vinculam-se à capacidade de direcionar os conhecimentos de seu time. “Não é necessário conhecer as coisas no detalhe, quem precisa saber isto são especialistas. Quando comecei a assumir posições executivas passei a atuar para fazer a equipe dar resultado”, comenta o profissional que conquistou as categorias gestão financeira e indicadores de desempenho.
A postura adotada no departamento que comanda consiste em atrelar tanto investimentos quanto gestão de custos aos resultados corporativos. “Dimensiono os projetos de acordo com a previsão de receita”, estabelece. A meta de negócio norteia as ações, seja para lançamento de produtos ou melhorias do ambiente tecnológico. Para tanto, faz-se uma projeção e monta-se o cronograma de alocação de recursos e despesa a partir do cenário identificado, com acompanhamento vinculado a parâmetros e indicadores.
O modelo adotado soa como um organismo que se desenvolve ao ritmo da corporação. “Se o resultado acontece, você gasta mais; caso contrário, gasta menos”, simplifica Negrete, defendendo que a seriedade na composição de um orçamento rígido serve como um bom horizonte de projetos dentro de prazos pré-estabelecidos e de um plano de ações. Contudo, não há recursos ilimitados para atender a todas demandas que aparecem. Segundo ele, quanto mais científico for o processo gestão, mais eficientes serão os resultados.
Como sua companhia é de tecnologia da informação para o mercado financeiro, os produtos gerados pelo seu departamento são percebidos diretamente pelos clientes finais da empresa. A TI, portanto, está no core do negócio. Acompanhar o andamento das ações também confere ganhos. Afinal, medindo a influência obtida a partir do desempenho de aplicação ou da adoção de determinada tecnologia serve como um bom argumento para viabilizar novos projetos. Retornos tangíveis, obviamente, são os que mais sensibilizam. No entanto, o COO possui políticas e instrumentos que garantem a capacidade operacional e a qualidade dos serviços
prestados.
Colocação / Categoria
1º – Gestão financeira
1º – Indicadores de desempenho
“Fazemos reunião mensal onde cada área apresenta seus indicadores de desempenho”, explica o executivo, detalhando que nestes
encontros sempre aparecem sugestões de melhorias nas métricas. Segundo Negrete, existem cerca de três indicadores para cada uma das cinco gerências sob sua responsabilidade, que refletem toda área de TI e operações da companhia. A Cetip mantém ainda um
sistema de pesquisa nos atendimentos aos consumidores de seus serviços. “Nossos clientes são muito suscetíveis à tecnologia que oferecemos”, acredita.
O executivo vive um momento de definição do futuro de sua companhia, após a compra da GRV pela Cetip. Ele se furta de prever o que prevalecerá ou será descartado durante o processo de fusão. “Estamos em momento de mudança. Ainda há muitos ajustes, mas
não está muito claro. Temos uma preocupação de não divulgar estratégias”, explica, indicando que se trata da união de duas companhias de proporções praticamentesemelhantes. Independentemente do desdobramentoas conquistas recentes de Negrete devem deixar umlegado interessante ao que prevalecer.