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Ferramentas de gestão de cloud: três pontos de alerta
Não tem jeito, pensar num projeto de colaboração ou numa rede social corporativa dificilmente será desvinculado do modelo Facebook. Uma interface fácil, jovem e com diversas possibilidades. Mas antes de definir o que adotar, Edson Fregni, diretor-geral da Sciere, aconselha a prestar atenção em outros pontos essenciais para que o projeto vingue e, também, a avaliar todos os modelos disponíveis para incentivar a troca de conhecimento em sua empresa.
O especialista, cuja companhia auxilia diversas corporações nesse tipo de projeto, participou de painel que discutiu a colaboração corporativa durante o Ciab 2011, em São Paulo. Além dele, completaram o debate Laércio Cosentino, presidente da Totvs, e Anderson Nobre, do Banco do Brasil.
Ao citar alguns exemplos de êxito nesta esfera, Fregni avisa que é preciso prestar atenção aos mecanismos de cada ferramenta liberada para os funcionários, já que cada uma tem propósito e função diferentes. “Tem que pensar ainda na organização, no funcionamento e no valor para as pessoas, se não tiver valor, a popularidade será muito baixa”, alerta.
Para o presidente da Totvs, o desafio está em criar uma cultura empresarial colaborativa que suporte essa era do conhecimento. “Existe uma grande oportunidade de empresas até menores, mas com grandes ideias, de ameaçar o monopólio de grandes grupos, a própria digitalização fez isso com fotografia e fotocópia”, comenta Cosentino. “Há uma grande mudança pela quantidade de informação que fomos colocando na rede e precisamos compartilhar esse novo mundo. Compartilhar é criar ambiente único de interação em uma nuvem. O mais difícil não é criar a rede, mas mantê-la em pé”, acrescenta.
Caso real
E manter a rede “em pé” realmente é complexo. Engajar os funcionários e fazer com que eles entendam a importância do bom uso de uma plataforma colaborativa leva tempo e requer treinamento. Mas nada é impossível e os exemplos apresentados por Fregni mostram isso.
Um dos casos levados pelo especialista é da empresa Boa Vista. “Eles criaram um ambiente que tem duas coisas: as pessoas fazem sugestões para melhorar a empresa e outro para discussão. O espaço da sugestão é muito criativo, tem apoio da comunidade que está lendo. Para isso, criaram mecanismo de moeda onde se investe nas melhores ideias e isso tem dado certo”, explica. No primeiro mês de funcionamento, compartilha Fregni, foram 593 cadastrados e 72 ideias lançadas. Em média, os usuários permaneceram 14 minutos tempo site.
Já no banco Santander, outro case apresentado por Fregni, foi criado um círculo colaborativo. O projeto conta com três divisões: temas (onde alguém coloca algo sobre orçamento, por exemplo, e todos opinam), áreas (um departamento pode criar seu espaço, mas o ambiente é restrito à equipe) e, por fim, pessoas (cada indivíduo cria o seu, o blog do Fábio – presidente do banco – é carro chefe e recebeu 850 mil visualizações em 2010). “Já são 60 mil cadastrados, com 30 mil usuários ativos e é um número bom. Está no ar há três anos”, pontua.
Se você pensa em implantar algo e acha que pode ser muito custoso, se atente aos conselhos de Fregni: não prenda-se apenas ao modelo Facebook, ele é apenas um dos conceitos de rede social e de colaboração. Para ele, tudo o que permite colaborar é, de certa forma, uma rede social. Nesta linha de pensamento, até um blog pode ser considerado e o especialista acredita que este pode ser um bom início. “Mas uma coisa é construir blog, outra é produzir o efeito esperado. Tem casos de gestão de ideias, onde se sugere, coloca para votação e pode dar certo.”
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