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por Gilberto Pavoni Junior | especial para InformationWeek Brasil
Inteligência artificial | 24 de junho de 2011

Computador inteligente? Só daqui a 10 anos

Cientista brasileiro acredita que a inteligência artificial só dará um produto inquestionável na próxima década. Por enquanto, podemos apreciar a evolução causada pelo Watson, da IBM

“Um computador capaz de ser tão inteligente como o cérebro humano só deve surgir daqui a 10 anos”. A opinião é do coordenador do Laboratório de Circuitos Integráveis da Universidade de São Paulo, João Zuffo. Para o professor, a inteligência artificial ainda não entregou o que se esperava dela nos anos 60 e 70. “Somente os avanços recentes é que trarão algo que possa ser reconhecido como um computador inteligente.

Zuffo acompanhou as notícias veiculadas na mídia internacional sobre o computador Watson, da IBM, que venceu os dois campeões de em um jogo de perguntas e respostas da TV americana. Para ele, a nova máquina mostra um grande potencial ao compreender a linguagem humana e poder trabalhar com uma base de dados específica em curtíssimo espaço de tempo. “Mas, ainda há muito o que evoluir”, diz.

Para o professor da USP o Watson é uma máquina especialista que ainda pode trazer muita ajuda para cientistas e empresas. Mas a maior vantagem dela é ter virado uma estrela da TV. “Parece pouco, mas isso pode ajudar a aproximar os homens de negócio da computação de grande desempenho, algo que sempre foi um problema”, comenta. Se isso ocorrer, o uso do Watson será exponencial.

Poderá até vir do Watson uma nova forma de abordar a inteligência artifical. Existem diversas linhas de pesquisa, que vão da computação à neurociência e, por enquanto, não há uma base de dados onde todo o conhecimento gerado até hoje possa ser cruzado. Zuffo aponta que a microeletrônica que conhecemos hoje deve se esgotar e ser substituída por nanotecnologia ou máquinas que usam moléculas orgânicas. “A computação vai mudar nos próximos 10 anos e uma máquina como o Watson pode não ter um prazo de vida tão longo assim”, diz.

O Deep Blue, um dos supercomputadores mais famosos do mundo e que venceu o  gênio do xadrez Garry Kasparov em 1997, é hoje apenas uma máquina a mais nas instalações da IBM. Por alguns anos ele ajudou na formulação de novos produtos na indústria farmacêutica. Mas o avanço do poder computacional fez ele ficar ultrapassado no prazo de uma década.

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