O departamento de tecnologia da informação é sempre desafiado a se superar, seja no desenho de um projeto, na solução de problemas ou no quesito inovação. Este último, aliás, tem sido alvo de grande debate nos últimos anos. É possível manter a chama da inovação acesa na TI? Para responder a isso, a IT Mídia elegeu como um dos temas dos Intercâmbios de Ideias, do IT Fórum+ 2011, “O departamento de TI como propulsor da Inovação”.
No primeiro dia do encontro, Sérgio Moysés, CIO da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), foi o convidado a apresentar um case dentro da temática. Falando para cerca de outros 20 executivos de TI, o gestor passou rapidamente pelo histórico dos trabalhos em TI, lembrando que, antes, um funcionário da divisão de infraestrutura ficava feliz quando um sistema tinha problema e ele era acionado para solucionar a questão rapidamente.
Mas hoje, tudo mudou. Ele fez um grande trabalho de mudança de paradigma no departamento de modo que a cultura de inovação ganhasse o suporte de todos os funcionários da TI. No início, entretanto, “o desenvolvimento era muito mais para área meio que para o negócio e iniciamos uma grande mudança, que passou (de analista de sistemas) para analista de negócio e colocamos em nossa visão não apenas entender a empresa, mas incentivar as pessoas a trazerem informações e projetos para implantarmos na área de negócio”, explica.
A metodologia para que a inovação estivesse presente na companhia se aprimorou ao longo dos anos, é a chamada maturidade. Se antes as novas ideias chegavam via organização de reuniões, esse escopo foi aberto para que funcionários de todos os níveis hierárquicos pudessem se beneficiar e não apenas os seniores. Moysés trabalhou, ainda, para desmistificar o fantasma de que inovar é sempre ter algo grandioso e altamente complexo. “Porque inovação assusta, as pessoas acham que tem que ser algo maluco e pode ser menor, foi isso que passei para as pessoas. Tem que trazer para a realidade, senão não decola.”
Hoje, o passo a passo para sugerir uma ideia na Fiergs funciona assim: preenchimento de formulário padrão com informações necessárias à avaliação do projeto; pré-avaliação da proposta e definição sobre a possibilidade da implantação e escolha da proposta a ser apresentada pelo proponente; implantação da proposta aprovada e levantamento dos benefícios gerados. Avaliação da implantação e premiação da proposta com melhor retorno.
Além de criar e aprimorar o processo, Moysés foi criativo ao criar um sistema de recompensa que inclui, por exemplo, treinamentos dentro e fora do Estado, para que o funcionário possa melhorar sua qualificação, driblando, assim, a falta de verba para premiações em dinheiro.
Entre os resultados ele destaca a motivação da equipe, o aumento da busca pelo conhecimento e a ampliação da capacidade de questionamento das pessoas. “As pessoas querem participar, cria até uma certa rivalidade na busca de sugestões”, resume.