Na abertura do IT Forum+ 2011, na Praia do Forte (BA), o professor da FGV Luiz Carlos Queiroz Cabrera discursou sobre o tema liderança globalmente responsável. O keynote speaker discorreu com base em relacionamentos e pesquisas realizadas com mais de 200 presidentes de grandes empresas ao redor do mundo, nos últimos dois anos, para saber quais são as maiores dificuldades e desafios enfrentados por estas companhias, CEO e presidentes.
O conceito de liderança mundialmente responsável tem ganhado diferentes contornos com o tempo, fazendo com que as empresas se adaptem e aprendam a lidar com diferentes tipos de situações de forma rápida e eficiente. “O desenvolvimento sustentável deve ser pensado em suprir as necessidades no agora e no futuro”, avalia Cabrera.
Para manter-se competitivo e atuante no mundo dos negócios é necessário ter conhecimento de mercado, mas, principalmente, sensibilidade para estar presente nos relacionamentos interpessoais. “Com exigências cada vez maiores de um mundo cada vez mais complexo, CEOs têm adaptado suas habilidades de gestão, utilizando, até mesmo, a intuição de forma racional para suprir essas mudanças”, comenta.
O professor Cabrera apontou, ainda, quatro valores fundamentais que o líder deve ter em mente para pautar suas decisões: o aspecto econômico, onde o resultado deve ser uma premissa e não o único foco, valores sociais, promovendo o crescimento pessoal e coletivo dos funcionários, valores culturais, espírito de colaboração e comprometimento éticos e, por fim, os valores ambientais, pautado em decisões que respeitem a natureza.
O discurso também foi pautado lembrando a importância dos relacionamentos interpessoais, não apenas no mundo dos negócios, mas também no ambiente familiar. “É preciso estar orientado para pessoas, estar disposto a ouvir, a ensinar, elogiar e ter integridade”, comenta. Muitas empresas ainda não absorveram este conceito não estando atentas as necessidades emocionais dos funcionários, podendo, dessa forma, prejudicar a si mesmo e a própria empresa. “Tem gente que contrata um profissional e vem um ser humano junto”, falou, em tom de brincadeira.
Cabrera relembrou a importância de estar sempre bem informado sobre o mundo a sua volta, em todas as esferas. “Ser um executivo global é saber se dedicar, é buscar, saber o que acontece na economia, no mundo, com os clientes e subordinados, tendo, assim, uma visão mais ampla do mundo.”
Na busca por CEOs globalmente responsável os Estados Unidos abriram as portas para o mundo, mais especificamente para a Índia, trocando os CEOs americanos por estrangeiros. Empresas como Motorola Mobility, Mastercard, Google, Pepsico, Kraft, entre outras, tem indianos como seus CEOs. “Existe algo no ambiente indiano que colabora com isso”, reflete. E ainda, “nesse sentido, questões culturais, agilidade, rapidez de pensamentos, visão social além da econômica, entre outros fatores, colaboram para a formação de um líder globalmente responsável”, completou.