IT Mídia
Vitor Cavalcanti Vitor Cavalcanti
IT Forum+ 2011 | 21 de agosto de 2011

Novos modelos de compra de TI ainda desafiam CIOs

Executivos de TI debateram o tema durante Intercâmbio de Ideias e mostraram que, independente da compra de software ou hardware, os detalhes podem fazer toda diferença

SaaS, PaaS, IaaS. Essas são apenas algumas das siglas que surgiram nos últimos anos para designar a compra de alguma tecnologia como serviço. Atualmente, tem se tornado mais comum ver EaaS, do inglês everthing as a service, ou, tudo como serviço. Essas novas formas de comprar TI têm mexido e muito com a rotina dos CIOs, que ganham novas preocupações quando negociam com fornecedores, mas, também, recebem, como bônus, na maior parte dos casos, a facilidade de implantação, o barateamento do custo e a liberação para tocar questões mais estratégicas.

Esse debate vem em alta há algum tempo e tem ganhado cada vez mais força, sobretudo, com a popularização da computação em nuvem, onde você terceiriza storage, servidores e até testes de aplicativos. Assim, o assunto recebeu destaque durante o IT Fórum+ 2011, que acontece na Praia do Forte (BA), com um Intercâmbio de Ideias destinado a este tema.

Para apresentar cases do gênero, a IT Mídia convidou Eduardo Lucas Pinto, CIO do Colégio Dante Alighieri, de São Paulo, e Eduardo Kondo, CIO da Galderma. O primeiro apresentou um projeto para levar o correio para nuvem e, o segundo, a modernização da ferramenta para a força de vendas com adoção do iPad, contratado como serviço.

Lucas Pinto lembra que, em seu caso, um projeto de troca de e-mail, que pode ser simplista para muita gente, ganhou diferentes contornos quando a decisão foi levá-lo para a nuvem. “Para nós foi um problema, porque tem o lado pedagógico, e, hoje, os e-mails dos alunos duram para sempre, a não ser que eles cancelem. Hoje são quatro mil alunos”, contextualiza.

Foram três os principais desafios: questão de marketing (se gostariam ou não de se vincular a determinado fornecedor e como personalizar a interface); contábil (o colégio precisa investir em Capex e cloud ou qualquer modalidade como serviço entraria em Opex); e, por fim, a territorialidade (as informações precisariam estar em um data center no Brasil e não indefinido como previa o contrato oferecido pelo fornecedor). O contrato tinha problemas ainda relacionados ao SLA e, também, relativos à segurança da informação.

Contribuindo para o debate, o CIO do Banco BBM, Alexandre Cabral, lembrou que a instituição contratou um serviço vinculado à nuvem que utiliza da Microsoft que impede o cliente de apagar informações, deixando, assim, o contrato com nível mais elevado. Essa questão de territorialidade suscitou muitas discussões durante a apresentação por envolver aspectos legais, sobretudo, para segmentos mais fiscalizados, como financeiro, aéreo e farmacêutico.

Se a Receita Federal vai fiscalizar a companhia, ela quer verificar as máquinas onde as informações estão armazenadas, sendo que a regra é que isso seja no Brasil. Quando se fala em nuvem, os dados podem estar numa estrutura nos Estados Unidos, na Europa ou em algum país da Ásia. A partir disso, outro questionamento surgiu: nessa nova onda, precisariam os CIOs entender mais de contabilidade e de legislação? O grupo se dividiu. Alguns defendem um conhecimento, não profundo, mas, ao menos, para debater os pontos principais. Já outros, acreditam que não seja o caso, uma vez que o departamento pode contar com um escritório de advocacia especializado em tecnologia.

iPad como serviço

De um lado, o dilema era contábil e a localização da informação, do outro, dar mais facilidade e dinamismo ao trabalho da força de vendas, usando a premissa da terceirização que já é rotina no departamento. Para Eduardo Kondo, da Galderma, trabalhar com o tema é algo certamente do dia a dia. A TI na companhia especializada em produtos dermatológicos é bastante enxuta e cuida, basicamente, de gerenciar os contratos dos fornecedores e pensar estratégias e soluções para suportar o crescimento da empresa.

Kondo lembra que toda a infraestrutura é contratada como serviço, bem como a gestão da telefonia, onde o prestador verifica, inclusive, erros de cobrança nas faturas mensais, Mas o principal case levado pelo executivo ao encontro foi o iPad para melhorar o trabalho da força de vendas. “Escolhemos este tablet pela facilidade de uso, apresentação e agilidade para inicialização. Usamos ainda para pesquisa e os dados são enviados de forma segura para a base de dados da Galderma. Precisamos entender a mudança de nosso consumidor, e o médico já está conectado, não está mais preso no passado. Como área de TI, precisamos também ter essa sensibilidade. O aplicativo de iPad aumentou o interesse do médico por nossas visitas.”

Adquirido como serviço junto à Computeasy, Kondo calcula que o equipamento certamente saiu mais caro do que se tivesse feito a compra numa loja, mas lembra que, por outro lado, o pacote veio acompanhado de help desk, transporte, seguro contra roubo, entre outros pontos que, em uma eventual aquisição, seriam preocupações da equipe da Galderma. Hoje, o executivo pensa em trocar o iOS por algum dispositivo com Android e a ideia é manter o regime de contratação como serviço.

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