Aplicar inovação com resultados positivos e para a auto-sustentação da companhia, de tal sorte que não represente apenas sua utilização por ser uma tecnologia emergente, é o desafio assumido por Edson Badan, diretor de TI da Ford Brasil e América do Sul. Tal estratégia garantiu à companhia o primeiro lugar na categoria Automotivo e Autopeças e a 24ª posição no ranking geral de As 100+ Inovadoras no Uso da TI.
O desafio de inovar, para a TI da Ford, foi considerado empolgante na implantação da nova fábrica de motores Sigma, na cidade de Taubaté, interior de São Paulo, que aconteceu em 2010. Segundo Badan, foi necessário integrar a TI com a necessidade operacional do chão-de-fábrica. “Compartilhamos a utilização de nossa rede ethernet para processos de automação industrial reduzindo significativamente os custos desta solução”, afirma.
O executivo detalha que a coleta otimizada e online de dados de qualidade diretamente dos equipamentos industriais viabilizou a obtenção e geração de informações estatísticas do processo, permitindo rastreabilidade do produto, além de propiciar maior eficiência aos times de manutenção da fábrica.
Para Badan, a estratégia de negócios da companhia é determinante. “A TI é naturalmente um amplo celeiro de inovação e nossa missão é filtrar dentre todas que se apresentam, quais são compatíveis com os interesses atuais da empresa”, explica. A Ford mantém grupos especializados na matriz norte-americana, que trabalham nestas atividades de investigação e que fazem a linha de frente nos testes. “A disseminação entre os funcionários da área ocorre pela extensiva comunicação interna”, afirma Badan.
Engenharia e praticidade
A cultura de inovação tecnológica permeando todos os processos da empresa é a imagem fornecida por Eduardo Platero, responsável pela TI da fornecedora de tecnologia automotiva Delphi. A empresa ficou em terceiro lugar na categoria e em 34º no ranking geral do prêmio.
O contato com inovação em TI vem da forma como a companhia trabalha. “Quando estamos implantando um projeto para uma montadora, por exemplo, acabamos tendo que desenvolver software para integrar. E como não existe um padrão, temos de buscar e conhecer vários tipos de programas. A inovação chega também via clientes”, explica Platero.
Por parte da companhia, um departamento de pesquisas de arquitetura de TI sediado na matriz espalha a inovação para os times regionais. “Testamos novas tecnologias aqui na região. Atualmente estamos experimentando o uso de iPads para alguns executivos”, revela. A ideia é que os profissionais tenham uma ferramenta mais fácil de usar, realmente portátil (em termos de bateria e rede), conectada a softwares corporativos, como BI e CRM.
Outra forma de incentivar o exercício de olhar para inovação entre os profissionais de TI foi a inclusão, nos planos de carreira, da necessidade do profissional fornecer pelo menos uma ideia inovadora ou que identifique uma oportunidade de melhorias. “O projeto teve início este ano e temos algumas regras: novidade, aplicação prática, atuar em alguma lacuna dos processos ou negócios e benefício financeiro, seja por economia ou aumento de receita”, resume.
Platero é um dos responsáveis, na companhia, por medir os resultados deste trabalho. “Inovação tem de ser algo para ajudar os negócios. E precisa ser algo muito prático, pois somos uma empresa de engenharia”.