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Vitor Cavalcanti Vitor Cavalcanti
Polêmica | 4 de outubro de 2011

Para especialista, in-memory será só para dados mais acessados

Contrariando previsões das companhias que investem no modelo, como a SAP, CTO da Teradata não vê in-memory substituir banco de dados tradicional no futuro

O uso da tecnologia in-memory tem sido bastante debatido e testado em grandes empresas na medida em que fornecedores tradicionais de tecnologia passam a investir e apostar muito na solução. A SAP é uma das empresas que colocam a abordagem em sua estratégia e acredita que, no futuro, será possível rodar, não apenas aplicações de análises, mas todo pacote transacional neste “novo modelo de banco de dados”. Mas nem todo mundo pensa desta forma. Uma das vozes que destoam quando o assunto é o uso futuro de in-memory é a de Stephen Brobst, CTO da Teradata.

Figura carismática, o executivo conversou com jornalistas da América Latina durante o Teradata Partners 2011, conferência que acontece nesta semana, em San Diego, nos Estados Unidos. Com uma forma peculiar de falar e abordar os fatos, ele inicia o debate em torno da tecnologia in-memory lembrando que “os dados crescem em uma velocidade mais rápida que a do barateamento da memória”. Assim, na visão dele, isso já inviabilizaria a adoção geral do modelo.

Desta forma, o CTO acredita que sua companhia tem uma estratégia mais acertada em lidar com a explosão de informações a que assistimos. A compressão de dados, por exemplo, fortemente presente no Teradata Database 14, é um exemplo citado por Brobst. Nesta solução, a fabricante traz compressão automática de dados, entrega via storage virtual e tudo pensando no crescimento abrupto dos dados globais. Eles acreditam que, provendo uma solução automática de alto desempenho podem contribuir muito mais com os executivos de TI, sempre pensando nas diversas fontes de informações que formam o chamado Big Data (redes sociais, sensores de todos os tipos, entre outros)

“Tentamos reduzir o custo com a compressão de dados. As unidades de processamento (CPUs) estão mais rápidas e baratas”, referenda. A posição de Brobst, entretanto, não indica que ele seja totalmente contra o investimento em in-memory. Para o especialista, o uso adequado pode trazer grandes vantagens às companhias. “Você pode dividir em ‘hot data’ e ‘cold data’, este último, que é o menos acessado, você pode mandar para um storage mecânico que é mais barato. In-memory tem muita vantagem quando falamos de informações mais urgentes.”

Durante a conversa, Brobst frisou muitas vezes a questão do custo, lembrando que o preço da memória continua sendo caro em relação as demais soluções disponíveis no mercado. Ele ressaltou ainda que, em caso de desligamento, tudo que está no in-memory é perdido, ou seja, você precisa de uma tecnologia tradicional para backup. Assim, ao questioná-lo sobre a possibilidade de rodar tudo em in-memory, até um ERP, ele não teve dúvidas ao responder: “É loucura apostar que tudo irá para in-memory. O fator econômico é o maior impeditivo para visualizarmos um futuro onde tudo rodará em in-memory. E é uma tecnologia volátil”, dispara.

Para Brobst, a única alternativa para o uso difundido do in-memory seria a memória entrar num processo de barateamento mais acelerado que o crescimento no número de transações. O especialista lembra ainda que o mundo já não é mais transacional e os dados têm explodido muito mais por interações, como nas redes sociais, que por transações. “A SAP está focada nos dados da SAP e não nas interações”, provoca. Mas, então, não temos nada de novo? “Sim, eles estão fazendo um bom trabalho em compressão, há inovação, mas eles estão muito focados no mundo deles”, reconhece.

*O jornalista viajou a San Diego a convite da Teradata

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