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Muito tem se falado sobre o futuro dos CIOs no mercado e como a profissão tem ganhado diferentes contornos com o tempo. Segundo pesquisa do Garter, até 2014 os gestores de TI vão perder 25% do controle sobre seu orçamento. “O poder de decisão está saindo das mãos dos gestores de TI, esses executivos estão deixando de ser executores de tarefas para se tornarem prestadores de serviços”, avalia Cassio Dreyfuss, analista do Gartner, durante coletiva de imprensa no Gartner Symposium & ITxpo 2011.
Para Dreyfuss, o conservadorismo dos CIOs e o medo de correr riscos são alguns dos motivos que propiciam essas mudanças. No caso da adoção de cloud computing, por exemplo, embora tenham demonstrado grande interesse há quase três anos, pouca coisa aconteceu. “Acredito que eles são muito cautelosos, se comportam como 20 anos atrás”, compara. “CIOs desejam trabalhar com risco zero e isso é impossível, até porque, o risco deve ser analisado do ponto de vista dos negócios.”
Segundo dados do Gartner, cloud computing é o futuro da computação e não tem como ser evitada, mas, embora as previsões sejam realistas, o Brasil ainda se move lentamente. “Para mim parece uma ‘corrida ao contrário’, onde ninguém quer chegar primeiro, mas chegar um pouquinho depois”, comparou Dreyfuss.
Já para Ione de Almeida Coco, também analista do Garner, as mudança de comportamento, seja na adoção da cloud ou em outras decisões da empresa, acabarão sendo empurradas pelos CFOs. “Estamos falando em repensar a TI, mudar o perfil do dia para a noite é impossível, por isso acredito que o papel do CFO vai ser muito importante para favorecer as tomadas de decisão da TI nas companhias”, confessou.
Os analistas concordam que é preciso deixar o medo de arriscar de lado e tomar posturas proativas em busca de resultados, não que isso signifique se aventurar, mas assumir riscos controlados. Para Dreyfuss é preciso que os CIOs mudem a visão de risco e adotem métricas em conjunto com a estratégia. “É preciso se voltar para a uma visão diferenciada pensada na solução do negócio”, disse. Já para Ione a solução está na mudança de comportamento dos CIOs, deixando de optar o tempo todo pela segurança das operações. “Nem sempre o fornecedor mais conhecido é o melhor para a companhia, por exemplo. E concluiu. “Eles devem se preocupar em apresentar todo o cenário ao invés de mostrar sempre a visão técnica e deixar que os CEOs decidam pela melhor estratégia”, relatou.
Para colaborar com os CIOs o Gartner anunciou que vai colocar analistas, conhecidos como “Officer of the CIOs” para atender a agenda desses profissionais no Brasil. “A intenção é disponibilizar equipes que prestem ajuda exclusiva de acordo com o planejamento de cada empresa, ajudando-os na tomada de decisão”, concluiu Ione.