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Organização é algo típico na Alemanha. E essa tradição se estende a tudo, desde o processo de venda de bilhetes de trem até a elaboração de uma estratégia para promoção de produtos e serviços. Assim, surgiu naquele país o esquema de “Houses”. Começou com o setor financeiro, em 2008, chegou à área de logística e mobilidade em 2009 e, agora, eles montaram a House of IT (HIT).
O objetivo central é promover o desenvolvimento de tecnologias para digitalização das empresas. Entre as regras estão cooperação com players globais, universidades e institutos de pesquisa. O cluster de software promovido pela House of IT é formado pelas cidades de Damstadt, Kaiserlautern, Karlsrube, Saabrucken e Waldorf. Eles consideram esse cluster como a região mais competitiva para o desenvolvimento de software na Europa, sendo apelidada de Vale do Silício Europeu.
Como explicou o professor Schott, gerente-geral da HIT, essas casas funcionam como centros interdisciplinares e inovadores para pesquisa, educação e transferência de conhecimento. A manutenção é via parceria público-privada, algo similar com a PPP brasileira. A House of IT começou neste ano e já integram o programa nomes como Accenture, Software AG, SAP, Ernst & Young, Hessen, Goethe University, Fraunhofer IGD, Fraunhofer Instituto de Sichere Telekooperation. A sede da instituição está em Darmstadt por ser uma cidade conhecida por vocação à ciência.
“No Estado de Hessen, são 94 mil pessoas empregadas em TI, o grande foco é TI e serviço, tem o maior hub de internet localizado em Frankfurt e há um boom de data center na região. Os usuários de TI são de diferentes setores como finanças, logística e farmacêutico”, detalha o professor.
Além de promover os produtos da região, a House of IT tem também o objetivo de estimular a criação de start-ups. “O que queremos fazer é com que os cientistas criem start-ups. Ajudaremos esses estudantes com boas ideias a estruturarem seus próprios negócios. A integração que promovemos também ajuda muito”, avalia Schott.
De forma simplificada, os trabalhos são divididos em três partes: transferência de pesquisa e conhecimento, via serviços de ciências e publicações; treinamento e ensino avançado e isso inclui os máster em ciências, MBA e treinamentos especializados; e, por fim, financiamento de start-ups. “Isso inclui consultoria, rede de contato e um portal na internet. A ideia é que não tenham problemas após a garantia de um financiamento. Existe uma interação entre cientistas, políticos, gerentes de TI e especialistas em tecnologia. A inovação acontece por conta desse time interdisciplinar, unindo indústria, ciência (academia) e governo.”
Do ponto de vista tecnológico, está nos planos da HIT, como lembrou Lutz Heuser, porta-voz do Software-Cluster, o foco está em trabalhar tecnologias emergentes, mas tendo como base conceitos consolidados como SOA e serviços baseados em internet. “Diversas empresas nessa região trabalham para ser uma nova SAP. Essa questão de cluster é algo muito tradicional na Alemanha. Hoje há muitas empresas se instalando nessa região por conta da infraestrutura, temos 40 cursos de TI, 17 centros de pesquisa em tecnologia e uma receita de 25 bilhões de euros. Não é uma região voltada à venda, mas à pesquisa e desenvolvimento.”
*O jornalista viajou à Darmstadt (Alemanha) a convite da Software AG