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Vitor Cavalcanti Vitor Cavalcanti
Entrevista | 2 de dezembro de 2011

Consolidação sempre existiu, afirma CEO da Software AG

Em entrevista na sede da companhia, em Darmstadt, na Alemanha, Karl-Heinz Streibich fala sobre crise, consolidação, estratégia com in-memory e tece elogios ao Brasil
crédito: Divulgação

Com bons resultados financeiros anunciados recentemente, o CEO da Software AG, Karl-Heinz Streibich, anda com muito bom humor. A companhia tem atingido objetivos como diversificação do portfólio, mas sem fugir do que ele chama de excelência em processos de negócio, o maior foco e também considerada maior marca da fabricante. Cloud, in-memory e mobilidade, temas que estão nas rodas de discussão do mundo da TI, estão contemplados na estratégia da companhia sediada em Darmstadt, localizada nos arredores de Frankfurt, na Alemanha.

No caso da mobilidade, os clientes podem acompanhar os fluxos diretamente dos dispositivos da Apple. A nuvem surge apenas mais como um novo canal para incluir seu expertise em processos e por aí vai. Mas se tem algo que agrada ao executivo é o Brasil, onde, em novos negócios, a empresa deve avançar 50%. Todas essas informações, o CEO passou à InformationWeek Brasil quando recebeu a publicação para um rápido bate-papo na sede da companhia, na semana em que foi organizado um evento para jornalistas de diversos países para apresentação de resultados e, também, das novas apostas. A seguir, você confere os principais trechos da conversa.

InformationWeek Brasil – Alguns analistas dizem que passamos neste momento pela maior consolidação na indústria de TI. Você concorda com isso? Como tem encarado este momento?

Karl-Heinz Streibich – Existe realmente uma grande consolidação no mercado de TI, mas isso acontece há anos. Isso vem desde a época da compra da Compaq pela HP. A indústria de software, especialmente, passa por grande consolidação e a própria Software AG é uma companhia que consolida e estamos comprando empresas. Adquirimos diversas nos últimos anos.

IWB – Isso é para complementar o portfólio?

Streibich – Exatamente. Esse movimento serve para completar e ampliar o portfólio, ganhar novos clientes, porque, na indústria de software, boa parte dos negócios vem de clientes existentes.

IWB – Você mencionou a questão de expandir o portfólio. Gostaria de saber como está o investimento em in-memory. Vocês planejam um appliance também?

Streibich – A primeira coisa que temos que pontuar é que somos uma empresa de software. E o pacote in-memory tem um componente de software e estamos em contato com nossos parceiros para discutir o que faz sentido para nossos clientes. E estamos fazendo isso bem.

IWB – Perguntei porque a SAP tem alguns parceiros para o desenvolvimento de appliance e embarcar a solução in-memory. Eles têm grande interesse nisso pelas soluções analíticas. No caso da Software AG, qual o interesse?

Streibich – Isso é simples. Com a tecnologia in-memory, você reduz o acesso ao banco de dados e tudo o que você mais usa está na memória, tornando o processo muito mais rápido. Tudo o que você precisa fazer é acessar as informações na memória. Você dispensa a necessidade de buscar em grandes bancos de dados.

IWB – Mas você acredita que isso pode ser o futuro do banco de dados como dizem alguns especialistas da indústria?

Streibich – Neste momento, o objetivo não é substituir o banco de dados, mas tornar o acesso às informações mais rápido. E teremos que ver a evolução disso. É como quando surgiu a televisão, disseram que mataria todos os outros meios, como o cinema e não matou.

IWB – Falando sobre dados, como essa tendência de ‘big data’ está inserida em sua estratégia?

Streibich – No caso de gerenciamento de dados, enxergamos três diferentes dimensões: dados não-estruturados, dados analíticos e transações processadas online (OLTP, da sigla em inglês). Este é um mercado importante para nós. Estamos na área de big data, no caso de dados não-estruturados, temos a soluções herdadas da Terracota, e, em informações analíticas, temos inteligência de processos.

IWB – Partindo para questões econômicas, a crise que atinge a Europa causou alguma mudança em sua estratégia?

Streibich – Isso não muda em nada nossa estratégia. Não vemos grandes mudanças neste momento e continuamos executando nosso negócio. Existe muita pressão na Itália, Portugal, Irlanda e Grécia e não temos grandes negócios nesses países, na Grécia, nenhum. Então, não afeta nossa estratégia. Na Itália, não temos muitas coisas, até por ser um mercado difícil de trabalhar.

IWB – Podemos dizer que, hoje, seus investimentos estão mais voltados para os mercados emergentes?

Streibich – O Brasil é um grande mercado emergente e tem sido muito importante para nós. A Rússia permanece difícil e não estamos fortes na China.

IWB – Quanto você espera crescer no Brasil?

Streibich – O máximo possível. Em novos negócios, deveremos crescer 50%.

IWB – Como é fazer negócios no Brasil, já que você colocou a Itália como sendo um ambiente difícil?

Streibich – A Itália tem todos os tipos de dificuldades. Eles precisam ser mais claros. A Itália tem um ambiente extremamente difícil, inflexível. É o país mais complicado da Europa, sem dúvidas. O Brasil não é difícil para nós. Estamos por lá e vamos continuar.

IWB – Vocês pensam em atender de alguma forma o mercado de PME?

Streibich – As pequenas e médias não estão em nosso foco. Atendemos empresas com faturamento alto e com ambiente altamente complexo. Elas precisam de nossa ajuda.

*O jornalista viajou à Darmstadt, na Alemanha, a convite da Software AG

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