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Thaia Duó Thaia Duó
Projeção | 10 de janeiro de 2012

O fim das startups de mídias sociais

"As receitas de mídias sociais não fizeram jus às promessas, só nos resta esperar para ver a maioria das milhares de startups morrer", avalia Vivek Wadhwa, VP de inovação da Singularity University
crédito: ThinkPhoto

Que as mídias sociais invadiram um grande número de corporações em 2011 todo mundo já sabe, mas que elas podem andar em ritmo mais lento neste novo ano ainda é surpresa para muitos. “É hora de saltar para o próximo vagão”, avisa o vice-presidente de Acadêmicos e Inovação da Singularity University (CA) e responsável por cadeiras também nas universidades Harvard, Duke e Emory, Vivek Wadhwa.

Pesquisas realizadas já comprovaram que o uso das mídias sociais como parte dos negócios é liderado por empresas dos mercados emergentes como China, Índia e Brasil. Mas a frustração com o resultado negativo das receitas geradas por essas mídias vai fazer com que oportunidades no mundo em desenvolvimento sejam menos aproveitadas. “A festa acabou para os investidores e startups. As receitas de mídias sociais não fizeram jus às promessas, só nos resta esperar para ver a maioria das milhares de startups morrer ou se pendurar nas cordas”, avalia o especialista. De acordo com Wadhwa, 99% das startups de mídia social que foram financiadas por empresas de venture capital no Vale do Silício, na Califórnia, morrerão. “Elas tinham grandes projeções para o crescimento, mas não alcançaram suas metas.”

Nos Estados Unidos, o Facebook e o Twitter estão chegando ao seu ponto de saturação. Sem ter novas pessoas interessadas em fazer parte dessas redes, a projeção de crescimento para 2012 não poderia ser diferente: ritmo bem lento. Para Wadhwa, logo este cenário será palco nos países emergentes, que produzem menos lucros que os mercados dos EUA.

No mundo corporativo não é muito diferente, segundo Wadhwa, há uma grande necessidade de aplicações de mídia social dentro do firewall corporativo. Mas este não será o Facebook ou o Twitter. Existem outros softwares empresariais, como o Tibco, que irão preencher essa necessidade.

O executivo ressalta que as mídias sociais vão continuar importantes, mas se tornarão uma característica de outros produtos. “Assim como browers e e-commerce não são mais tão ‘quentes’, são apenas características. É isso que vai acontecer com as mídias sociais”, acredita.

Um exemplo são as startups de compartilhamento de fotos, das centenas existentes apenas 2 ou 3 sobreviverão, o resto vai morrer ou seguir a linha para se tornar uma característica de outro produto. O mesmo deve acontecer com as empresas que prestam serviços analíticos, cerca de 20 devem sobreviver no mercado. “Isso de fato já está acontecendo. O crescimento do uso de mídias sociais passou a ser lento há alguns meses para iniciantes no mercado como FourSquare e, igualmente, para empresas fortes como Facebook”, pontua.

Cenário brasileiro

As empresas de mídias sociais estão chegando ao Brasil aos poucos, como é o caso do LinkedIn, que recentemente abriu um escritório em São Paulo. A presença dessas empresas pode ajudar o mercado a lidar com esse tipo de ferramenta, que muitas vezes são usadas como CRM ou quando são aplicações terceiras se integram ao Facebook ou ao Twitter. “Estar próximo do mundo corporativo faz a diferença para que as organizações saibam como investir de forma mais eficiente. As redes sociais são de extrema importância e as empresas vão observar que tipo de investimento vale a pena fazer. Para as companhias de B2B, por exemplo, não é legal investir em propaganda no Facebook, faz mais sentido aplicar na ferramenta SEO para aparecer com mais destaque nos resultados do Google”, explica Marcelo Silva, analista da Frost & Sullivan.

Mas estar presente no País não é tudo. Para conquistar a sobrevivência, as empresas de mídias sociais dependem de uma série de fatores, dentre elas o nível de engajamento das próprias organizações aqui no Brasil. “O LinkedIn vai ter quantas pessoas na equipe de venda? O Facebook vai conseguir orientar sua clientela? O mundo corporativo vai buscar se educar ou a investir onde acha que é melhor por mero achismo. Esse é um mercado ainda imaturo, estamos atrás dos Estados Unidos e a tendência citada por Vivek Wadhwa provavelmente vai acontecer de fato aqui no Brasil em poucos anos”, prevê o analista.

Os sites de compras coletivas são exemplos de modelo hoje criticado pelo mercado norte-americano e ainda em fase de aprendizado por parte dos usuários no Brasil. Para o analista, isso mostra a importância das pessoas aprenderem a usar as ferramentas para saberem a melhor forma e caminho de se investir.

As empresas precisam se atentar a todas as esferas, sem se esquecer das lojas físicas. “Essa é uma falha comum e que deve ser evitada, a ideia é fazer um balanceamento, pois há vários tipos de consumidores que se relacionam em diversos meios de canais. É preciso saber administrar cada um devidamente, no momento mais oportuno, é aí que entra a questão de saber investir melhor para que a receita faça jus às promessas”, finaliza Silva.

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