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A cultura por trás do sucesso do Facebook

7 de fevereiro de 2012 17:46

Na última semana a SEC – Securities and Exchange Commission, instituição que regula o mercado de valores mobiliários nos Estados Unidos, publicou as informações de registro enviadas pelo Facebook para o lançamento de sua oferta pública inicial de ações na bolsa de valores norte americana.

A empresa pretende levantar cerca de US$ 5 bilhões com a oferta de ações. Esse número seria o valor mais alto já levantado por uma empresa de tecnologia. Para se ter ideia, as empresas de internet que mais arrecadaram com seus IPOs até então eram o Google e o Groupon, os quais levantaram US$ 1,7 bilhão e US$ 700 milhões, respectivamente.

O documento publicado pela SEC, composto de mais de 172 páginas, revela pela primeira vez ao mundo os surpreendentes números da gigante da internet.

Em 2011, o Facebook fechou o ano com receita líquida de US$ 3,7 bilhões. Quando analisamos o crescimento da empresa desde 2007, quando o faturamento atingiu US$ 153 milhões, vemos um crescimento médio de 122% ao ano. O lucro líquido da empresa alcançou, também em 2011, US$ 1 bilhão, o que representa uma margem líquida de 27%.

Além dos bons indicadores financeiros, a empresa revelou detalhes como o número de usuários. O Facebook fechou 2011 com uma base de 845 milhões de usuários ativos mensais, isto é, usuários que acessam a rede social ao menos uma vez ao mês. A empresa calcula, também, o número de pessoas que acessam o sistema todos os dias. Esse indicador alcançou a marca de 483 milhões, em 2011, o que representa 57% dos usuários mensais. Considerando que existem cerca de 2 bilhões de internautas no planeta, podemos dizer que 1 em cada 4 deles acessam o Facebook diariamente.

Para suportar esse crescimento a empresa também revela que seu quadro de colaboradores saltou de 1.218, em 2009, para 3.200, em 2011, distribuídos em 30 escritórios em 20 países diferentes.

Esses números, surpreendentes para uma empresa de apenas 8 anos de idade (O Facebook foi lançado em 4 de fevereiro de 2004), refletem a combinação entre um serviço excepcional, uma estratégia acertada, uma liderança firme e consciente de onde pode chegar e, é claro, uma cultura organizacional dinâmica e vencedora.

Essa cultura vencedora pode ser percebida em uma carta, escrita e assinada pelo fundador e CEO da empresa, Mark Zuckerberg. No texto ele diz que o Facebook não foi criado para ser uma empresa, foi construído para cumprir uma missão social: tornar o mundo mais aberto (sem barreiras) e conectado. Segundo ele, essa missão permeia todas as decisões tomadas e produtos gerados dentro da empresa, desde os dias em que ele próprio começou a escrever os primeiros códigos do sistema em seu quarto em Harvard. Ter uma missão forte como essa na cabeça de todos os colaboradores da empresa com certeza aumenta o poder de inovação e execução do time como um todo.

Além disso, Mark discorre abertamente sobre a cultura organizacional do Facebook, chamada de The Hacker Way (O Jeito Hacker, em português), disseminada em toda a empresa e que com certeza contribuiu para a empresa chegar aos números que tem hoje.

Segundo Zuckerberg, apesar da palavra hacker ter uma conotação negativa para a maioria das pessoas, ela, na verdade, significa executar algo de forma rápida e testar os limites do que pode ser feito. Hackers acreditam que as coisas nunca estão boas o bastante e quem sempre há espaço para melhoria. Além disso, hackers tem um senso de urgência, construindo as coisas aos poucos, o mais rápido possível.  Em vez de parar e pensar a melhor maneira de estruturar e executar uma atividade, as pessoas no Facebook procuram criar protótipos o mais rápido possível, para que as ideias sejam testadas através de interações com os clientes e gerem novos insights que posteriormente se transformarão em novas melhorias. De acordo com a carta, existe um lema muito escutado nos corredores do escritório do Facebook: “Códigos vencem argumentos”.

Zuckerberg também aborda o fato da cultura hacker ser sempre meritocrática. No Facebook, as melhores ideias sempre vencem, independente do cargo ou importância das pessoas envolvidas. Para encorajar a participação de todos na criação de novos conceitos e ferramentas que possam ser transformadas em produtos e serviços, a empresa promove maratonas de programação, chamadas de Hackaton, onde são desenvolvidos diversos protótipos que passam por uma seleção envolvendo toda a empresa onde os melhores são escolhidos para se transformarem em realidade. Grande parte das inovações do site vem dessas maratonas.

A carta de Mark Zuckerberg termina citando cinco princípios que resumem a gestão do Facebook:

  • Tenha foco no Impacto: É preciso focar em resolver os grandes problemas e não perder tempo com as coisas pequenas;
  • Seja Rápido: Fazer as coisas rapidamente significa fazer mais e aprender mais rápido. É preciso ter agilidade para aproveitar as oportunidades que surgem;
  • Seja corajoso: Construir coisas grandes significa tomar riscos e quem não assume riscos certamente fracassará;
  • Seja Aberto: É preciso assegurar que todos tenham acesso a toda a informação possível sobre a empresa e seu negócio para que possam tomar as decisões corretas;
  • Construa Valor Social: Todos na empresa devem garantir a geração de valor real em tudo o que fazem, todos os dias.

Essas informações sobre a maneira como o Facebook é dirigido e a cultura que permeia as decisões e o dia a dia da empresa são extremamente valiosas e podem ser implementadas por qualquer empresa que busque um crescimento acelerado guiado pela inovação.

A instituição de uma cultura que propicie um ambiente voltado à inovação é fundamental para a empresa que almeja o crescimento e a perpetuação do negócio no longo prazo. É importante conhecer valores e princípios que guiam empresas inovadoras, como as do Facebook, para conhecer boas práticas e casos de sucesso. No entanto, é preciso ter em mente que cada empresa é diferente e tem culturas distintas entre si. O importante é começar a inserir iniciativas que promovam a construção de uma cultura mais inovadora de forma consistente, de modo a fazer com que as ideias fluam e possam ser implementadas de forma cada vez mais natural na organização. 

 

Autor: Wagner Pereira

Gerente de Inteligência Estratégia da OThink

www.othink.com

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