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Com o anúncio da aquisição da quarta maior operadora dos Estados Unidos, a T-Mobile, por US$ 39 milhões, a norte-americana AT&T, que era a segunda maior, passa a liderar o mercado de telefonia celular naquele país. Com este movimento, a compradora terá aproximadamente 130 milhões de assinantes, ultrapassando a atual líder Verizon, com 100 milhões, e a Sprint-Nextel, com 50 milhões. A concretização ainda depende da aprovação regulatória, mas, de qualquer forma, já traz sinais importantes.
Em um mercado onde o avanço tecnológico é constante e cada vez mais veloz, a renovação e a ampliação de cobertura da infraestrutura exige capital intensivo. E, no caso de operadoras de telefonia celular, existe ainda o custo embutido de aquisição de faixas de frequências, restringindo o mercado para empresas com fôlego financeiro. Uma briga para poucos e gigantes. Vale lembrar que a migração acontece também na camada de serviços, ou seja, nos aparelhos celulares. Tanto para se adaptarem à tecnologia das redes, mas também às novas aplicações (mensagens, navegação na internet, localização, etc).
No Brasil, enfrentamos diversas atualizações tecnológicas de telefonia celular nos últimos 15 anos. Começamos pela comunicação analógica (AMPS) e, no final dos anos 90, passamos para as primeiras tecnologias digitais CDMA e TDMA, que chegaram por aqui na época da privatização (operadoras das bandas A e B). Já no início dos anos 2000, vimos a chegada do GSM, que ganhava escala pela forte presença na Europa, e que foi sendo adotada, principalmente, pelas operadoras TDMA.
A necessidade de otimização do espectro de frequência – faixa do ar licenciada para estas tecnologias trafegarem as informações – fez com que tivéssemos a introdução de serviços de dados e, com isto, a migração para as tecnologias GPRS/ EDGE e CDMA 1x. Em seguida, todas as operadoras de celular no Brasil adotaram o padrão tecnológico similar, o GSM/GPRS/EDGE, e, recentemente, investiram mais uma vez na oferta de serviços WCDMA, também conhecido por 3G.
Em paralelo, também acompanhamos a troca dos acionistas das principais operadoras que atuam no País. Apesar de o Brasil ter sido dividido em diversas áreas e, inicialmente, cada uma delas contar com pelo menos duas operadoras de telefonia celular, o mercado se consolidou em quatro grandes players regionais (Vivo, Claro, TIM e Oi) e outras operando em menor escala (CTBC e Sercomtel). Além disso, temos a Nextel, que fornece serviços especializados que utiliza a tecnologia iDEN, mas que, em breve, entrará nessa competição em 3G.
Se por um lado a consolidação é importante para as operadoras continuarem ganhando escala (tanto em infraestrutura como em base de clientes), maior o poder de barganha na negociação com os fornecedores. Em contrapartida, quanto maior se tornam, acabam ficando mais pesadas. Com menos velocidade e mais burocráticas, acabam favorecendo o surgimento de novos concorrentes inovadores.
Luís Minoru Shibata é diretor de consultoria da PromonLogicalis. Antes, o executivo atuou como diretor executivo e membro do board da Ipsos no Brasil e foi managing director para a América Latina do Yankee Group, onde trabalhou por 7 anos. Este é um blog pessoal e as opiniões aqui descritas não são necessariamente a visão da PromonLogicalis. Se você quiser um contato profissional com a PromonLogicalis, escreva para: luis.minoru@br.promonlogicalis.com.
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