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Quando falamos de controles internos, compliance, gestão de riscos e prevenção à fraudes, temos como premissas demonstrar as falhas e damos muito foco nisso, mas quando os incidentes são evitados, como demonstramos? Isso quando identificamos.
A resposta é simples: não apresentamos. Por exemplo, fazemos treinamentos da brigada de incêndio, criamos os brigadistas, fazemos reciclagem e quando ocorre um incêndio buscamos explicações para o fato e quando evitamos o “desastre”, quem notifica? Quem fica sabendo?
A mesma coisa acontece com controles internos e em prevenção à fraude. Temos relatórios de falhas e perdas, e também temos os Indicadores de Chave de Risco – KRI (sigla em inglês de Key Risk Indicator) ou Indicadores Chave de Desempenho – KPI (sigla em inglês de Key Performance Indicator) muito utilizado em metodologias de avaliação de riscos e compliance.
Mas, uma pergunta paira no ar, sobre quantos erros evitamos em nosso dia-a-dia de trabalho? Quantas vezes pedimos reprocessamento dos movimentos contábeis e financeiros por erros? Quantos documentos foram refeitos antes de aprovação superior por possuírem erros ou informações indevidas? Quantas tentativas de desvios e fraudes evitamos? Quantos “não” incidentes já foram evitados nos últimos 30 dias?
Não sabemos, pois somente apontamos os erros e falhas, mas como podemos demonstrar que os controles internos e de gestão estão sendo produtivos e que os investimentos em equipe, treinamento, sistemas e processos estão apresentando retorno? Falta esta consciência, afinal investir em controles não é barato, pelo contrário, é investimento, alguns acham que é custo, mas quando não demonstramos resultados, viram realmente custos injustificáveis.
Lembro-me em uma aula do professor e Dr. Sérgio de Iudícibus em meu Mestrado em Ciências Contábeis e Atuariais na PUC, quando ele disse o seguinte: “Nós contadores não sabemos vender o nosso serviço, pois fazemos muito mais do que débito e crédito, mas ninguém sabe que somos parte da gestão dos negócios”.
Esta frase me acompanha todos os dias, pois os incidentes sempre aparecem, todavia quem apresenta os “não” incidentes?
Todos os gestores e colaboradores deveriam buscar uma mudança na forma de apresentar o resultado de seus controles, entretanto muitos gestores ainda possuem a consciência de que todos nós fazemos parte dos controles internos e da validação de conformidade com as normas e procedimentos existentes.
Pois quem nunca ouviu a frase: “Não me venha com problemas, mas sim com soluções”. Então chegou a hora e o momento de apresentar que muitas das soluções funcionam e que ainda somos reféns da negligência humana para os controles internos. Pense nisso, e faça parte da mudança de paradigma.
* Marcos Assi é professor e coordenador do MBA Gestão de Riscos e Compliance da Trevisan Escola de Negócios, e autor do livro “Controles Internos e Cultura Organizacional – como consolidar a confiança na gestão dos negócios” (Saint Paul Editora). Consultor de Governança, Riscos Financeiros e Compliance da Daryus Consultoria.
Mestre pela PUC, bacharel em Ciências Contábeis pela FMU e com pós-graduação em Auditoria Interna e Pericia pela Fecap, Marcos Assi é também auditor, contador e controller. Entre outras atribuições, é diretor e líder da divisão de Governança Corporativa, Riscos Financeiros e Compliance da Daryus Consultoria e Treinamento e coordenador e professor do curso de MBA em Controles Internos e Compliance da Trevisan Escola de Negócios, além de autor do livro “Controles Internos e Cultura Organizacional
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