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“Às vezes me vejo entusiasmado pelo próximo projeto, pelo próximo cliente e pela próxima meta. Sempre vejo mais valor no que esta por vir e pelo o que ainda não conquistei. O que eu já tenho merece menos atenção e deve ser rapidamente delegado”.
Configurasse nesse pensamento uma armadilha comum à maioria dos gestores. O que vale mais? O cliente conquistado ou o que está por vir? O serviço em funcionamento ou o que será implantado? O projeto entregue ou o que está por iniciar?
Se não bem administrada, essa disputa entre a agenda corrente e a futura pode representar perda de eficiência para as empresas. Os gestores podem se deixar seduzir pelo futuro em detrimento ao presente. “A operação é menos nobre que o planejamento e a estratégia”.
Apoiado nesse choque de realidades, eu apresento esse texto, cujo objetivo é justamente colocar luz e evidenciar o valor do gerenciamento do dia a dia de trabalho para o crescimento consistente das empresas. Alerto também para as oportunidades negligenciadas ao se abrir mão do acompanhamento da rotina em prol dos projetos e das mudanças que estão por vir.
O trabalho do dia a dia deve merecer a mesma atenção que é dada pelo gestor ao planejamento dos projetos, ao controle das finanças e às atividades de desenvolvimento da equipe. Em TI a negligência com a operação se traduz, dentre outros, em problemas de indisponibilidade de aplicações, desempenho insatisfatório de sistemas críticos e em altos índices de erros e reclamações.
Adotar os processos contidos na biblioteca ITIL e seguir os controles do framework Cobit são formas conhecidas de se evitar e combater esses problemas. Entretanto, acredito que essas ações podem ser potencializadas se combinadas com as práticas de “Qualidade Total” e “Gerenciamento da Rotina”.
Existe bastante material disponível sobre esses temas e eu uso como referência os livros, artigos e vídeos do professor Vicente Falconi Campos, consultor e fundador do INDG.
O professor Falconi, nos livros “gerenciando a rotina do dia-a-dia de trabalho” e “o verdadeiro poder”, enfatiza que não deve haver nada mais urgente numa empresa do que eliminar os maus resultados, descritos por ele como anomalias. Reforça que enquanto a rotina não estiver sob controle, o tempo das pessoas será consumido em “apagar o incêndio” e não para gerenciar e atingir metas. Esse gerenciamento da rotina passa essencialmente pela padronização, definição de metas, monitoramento, criação de planos de ação para tratamento de anomalias e pelo treinamento no trabalho.
Sendo assim, a combinação do método de Gerenciamento da Rotina do Trabalho do dia a dia com os processos do ITIL e controles do Cobit se apresenta como uma importante ferramenta para a gestão eficiente de TI.
Além disso, ficam evidentes que o domínio das rotinas e a padronização do trabalho do dia a dia também são bons instrumentos para alavancar os projetos, garantir a melhoria contínua e aumentar a capacidade da empresa inovar.
E, por fim, o benefício de se manter a “casa em ordem” permite ao gestor empregar mais energia na agenda do futuro, sem nunca se descuidar do presente.
Referências:
Gerenciamento da rotina do trabalho do dia-a-dia/Vicente Falconi Campos. Nova Lima: INDG Tecnologia e Serviços Ltda.,2004.
O verdadeiro poder/Vicente Falconi Campos. Nova Lima: INDG Tecnologia e Serviços Ltda.,2009.
TQC – Controle da Qualidade Total/Vicente Falconi Campos. Nova Lima: INDG Tecnologia e Serviços Ltda., 2004.
Bruno Henrique de Macedo Machado é gerente de tecnologia e membro do Escritório de Projetos da Anima Educação e também Professor dos Centros Universitários Una e UniBH. Pós-graduado em Administração de Sistemas de Informação pela UFLA e Graduado em Ciência da Computação pela PUC Minas. Cursando o MBA Executivo do IBMEC. Certificado PMP, ITIL F, Cobit F e LPI.
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