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Proteção

25 de fevereiro de 2011 11:58

Já falei algumas vezes sobre este tema, mas voltarei a falar.

Latinos não gostam de proteger o que mais importa a eles. Deixa isso sempre para uma instituição de fora: religião, política, etc. Começamos com nossa casa, nossa calçada, nosso bairro e vamos até a nossa família, passando por uma infinidade de coisas.

Vejamos o caso de nossa saúde. Brasileiros não compram planos de saúde, mesmo que custem baratinho. Se você der hoje 500 reais a mais para 92 milhões de brasileiros que perfazem a classe C, provavelmente teremos que produzir mais 92 milhões de carros, mas não planos de saúde. Por quê? Senso de proteção. Isso não é problema deles, é do governo.

Qualquer brasileiro que se preza faz conta com de qual a melhor gasolina deve colocar no seu carro, mas não sobre a sua alimentação, afinal, isso anda é problema do plano de saúde.

A calçada então é da política, assim como o bairro, a rua, o trânsito e mais um montão de itens.

Quando falamos de empresas a coisa piora.

Um dia desses conversei com um amigo e citei que na empresa que dirijo qualquer projeto merece atenção financeira, de marketing, de vendas, de operações e jurídica. Jurídica? Sim, jurídica, temos mais de 150 marcas registradas e nada sai sem registrar. Por quê? Isso é problema nosso e não do governo. Estou cansado de ver projetos lindos, sem dono, sem registro, sem nada. De quem é essa preocupação? Do governo? Nunca, do pai da criança. Teve a criança, registre-a ou outro o fará.

Estou agora em Lua de Mel, e passeando pelo Louvre, tive uma impressão de que o Brasil não sabe contar história. Criamos o samba, o carnaval. Milhões de pessoas já viajaram milhares de milhas para ir até o carnaval brasileiro, ver as mulatas, a bateria, o enredo, as escolas etc. Um ano depois, todo o trabalho é desfeito e vai para o lixo. A única empresa que detém todo o conhecimento do carnaval chama-se Rede Globo. Fora isso, nenhum carnavalesco bom sabe.

Por quê? Novamente, não é problema de ninguém, e sim do governo. Chamo através desse algum empresário fã do carnaval que crie o Museu do Samba, do tamanho do Louvre, com quilômetros de extensão, com carros alegóricos expostos, suas explicações, fotos, músicas para escutar, comprar, cadernos, itens de decoração, máscaras etc.

Alberto, mas espere aí, isso não tem nada a ver com tecnologia.

Não tem mesmo, tem a ver com a atitude com as nossas riquezas. Se cada empresário que criou algo no Brasil tivesse o interesse, a preocupação ou a vontade de registrar suas ideias, patentear (sei que é difícil em nosso país), seríamos hoje donos de empresas como SAP, Oracle, IBM, etc.

Nós criamos o avião, o relógio de bolso, de pulso, o samba, a bossa nova, o futebol, a novela, temos uma das maiores frotas de helicópteros do mundo, somos o terceiro em produção de aeronaves, primeiro em energia, temos carros flex, elétricos, a gás, gasolina, álcool e até a vinho. Temos três das angels da Victoria Secret e não sabemos contar isso. Somos do Brasil, o melhor país desse mundo.

E vamos juntos!

Sobre Alberto Leite

Alberto Leite é diretor-executivo da IT Mídia S.A., empresa líder no fornecimento de informações para os setores de TI, Telecom, Saúde e Finanças. Colunista da revista CRN Brasil, tem se dedicado ao desenvolvimento de todo o canal de distribuição brasileiro.

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