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Pouquíssimas pessoas hoje voltariam no tempo para um mundo sem internet. Para muitos jovens adultos, tal planeta pode parecer impossível de imaginar. As TICs (tecnologia da informação e comunicações) e a internet, em especial, já mudaram o mundo radicalmente e todos os indicadores apontam para uma taxa de transformação ainda mais alta em nossas vidas, nas próximas décadas. Por mais que a natureza exata dessas mudanças ainda seja difícil de definir, as tendências tecnológicas estão evoluindo em rumos previsíveis – o que eu defino como avanço em direção à tecnologia SLIM:
Social: a TIC está, cada vez mais, ditando o comportamento de pessoas e seus círculos sociais. O horizonte tecnológico se expande para além de processos tradicionais e temas automatizados para incluir foco humano e social.
Local: contextos geográficos se tornaram importantes. As TICs oferecem uma forma eficaz de unir pessoas e objetos (e processos) a ambientes locais. Isso permite a diferenciação entre contextos e entrega de serviços customizados.
Inteligência: as TICs vão se tornar ainda mais inteligentes. O comportamento das pessoas, suas preferências, a interação de objetos e outros aspectos, serão armazenados, analisados e utilizados para oferecer insights para ações, com mais facilidade.
Mobilidade: a amplitude da adoção de telefones móveis já levou as TICs para as massas.
Avanços em hardware, software (por exemplo, interface de linguagem natural) e comunicações continuarão tornando a computação mais móvel e mais acessível. Hoje, vivemos em um mundo em que mais pessoas têm acesso a tecnologias (geralmente um telefone celular) do que à água potável ou eletricidade.
Enquanto pesquisadores e observadores da indústria documentam o impacto positivo da difusão das TICs na economia – estimativas mostram que o aumento de 10% na penetração de telefones móveis está associado ao crescimento de 1% do PIB –, continuamos sendo desafiados por uma questão simples, porém importante: podemos ver essas ferramentas melhorando a qualidade de vida dos indivíduos e sociedades como um todo?
A questão se torna especialmente relevante quando consideramos o importante papel desempenhado pelas tecnologias (em particular, mídias sociais) durante as atuais revoluções políticas em países como o Egito e a Tunísia. Governos e organizações públicas estão notando, aos poucos, o poder das TICs para redefinir atuação e a forma de comprometimento de cidadãos.
Para que as tecnologias sejam bem aproveitadas, elas precisam estar de acordo com o contexto local e com as necessidades das pessoas. Fazer tudo isso não é fácil. A primeira regra da mudança, mencionada por John Gage, da Sun Microsystems, ainda é verdadeira: “Tecnologia é simples, pessoas são complicadas”.
é reitor para relações exteriores da Insead e professor de negócios e tecnologia da Roland Berger
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