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No último final de semana fomos surpreendidos com notícias sobre o naufrágio do navio de cruzeiro Costa Concordia, que colidiu com uma rocha nas proximidades da ilha de Giglio, na costa italiana da Toscana. Mais de quatro mil pessoas estavam a bordo. Até a manhã de segunda-feira (16), havia seis mortes confirmadas e outras 16 pessoas seguiam desaparecidas: dez turistas e seis tripulantes.
Segundo as primeiras informações, o navio, que tem 290 metros de comprimento e 114,5 mil toneladas, margeava a ilha quando bateu em uma rocha e começou a adernar. Houve pânico entre os passageiros, que reclamaram de despreparo da tripulação, e luta por coletes salva-vidas. O comandante do Costa Concordia, Francesco Schettino, foi acusado de ter abandonado o navio. Ele nega, mas a empresa responsável pela embarcação confirmou a negligência.
Ao rever alguns pontos deste fato, não pude deixar de comparar com o mundo corporativo. Afinal, algumas falhas estão, pelo menos neste momento, evidentes: negligência operacional, pois havia manual interno de navegação; mapa náutico com a rota a ser seguida e equipe treinada para evacuação do navio. O fato de as normas não terem sido seguidas, além do perigo evidente, pode trazer risco de danos à imagem e à reputação, entre outros.
Quantas vezes não vimos no mundo corporativo os mesmos problemas, como desrespeito às normas, negligência às regras internas e externas e falta de capacitação da equipe no gerenciamento de crises? Quando as pessoas não dão a devida atenção aos treinamentos, as falhas acontecem, pois elas não sabem o que fazer.
Soberba, por acharem que sabem mais do que as normas e os procedimentos direcionam ou orientam, falta de preparo em não avaliar os riscos inerentes à atividade e, no caso do comandante, que deveria orientar a evacuação e gerenciar a crise – vale a pena salientar, causada por ele mesmo – e foi um dos primeiros a abandonar o navio demonstram o total despreparo da equipe em lidar com a situação.
Portanto, devemos avaliar melhor os nossos processos de gestão de riscos e controles internos; saber se os profissionais indicados estão devidamente preparados para o gerenciamento de crises e se existem desvios normativos, que neste caso é mais fácil identificar.
As crises acontecem porque as pessoas sempre cometem desvio de conduta e de procedimentos, por acharem que estão acima das regras de compliance, e a imagem e a reputação ficam totalmente expostas.
Profissionalismo não se compra no mercado. Pelo contrário, se conquista. Podemos moldar o perfil de nosso profissional na busca pela excelência, pelo respeito às regras e normas, comprometimento com a empresa. Afinal, risco de imagem e reputação aparece quando alguém não faz a sua parte, e não sabemos qual o impacto financeiro causado pela falha operacional.
Você, que está com um pacote de cruzeiro comprado, o que pensa neste momento? “Será que acontecerá o mesmo comigo? Qual a probabilidade de acontecer de novo?”
Será que a sua empresa não é um Titanic operacional? Pense nisso.
Marcos Assi é professor e coordenador do MBA Gestão de Riscos e Compliance da Trevisan Escola de Negócios, e autor do livro “Controles Internos e Cultura Organizacional – como consolidar a confiança na gestão dos negócios” (Saint Paul Editora). Consultor de Governança, Riscos Financeiros e Compliance da Daryus Consultoria.
Mestre em Ciências Contábeis pela PUC, bacharel em C. Contábeis pela FMU e pós-graduado em Auditoria Interna e Pericia pela Fecap, Marcos Assi é consultor e professor de MBA em diversas Universidades e do curso de MBA em Gestão de Riscos e Compliance da Trevisan Escola de Negócios, além de autor dos livros “Controles Internos e Cultura Organizacional” e “Gestão de Riscos com Controles Internos”
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